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O presidente da ABTI, Paulo Ossani, e o vice-presidente, Diego Tomasi, estiveram nesta quarta-feira na sede da Associação, em Uruguaiana (RS), pela primeira vez desde a eleição que os conduziu aos cargos, em novembro de 2025. Na ocasião, lideraram a primeira Reunião da Diretoria da ABTI, com foco no alinhamento de expectativas e na definição das prioridades para o ano de 2026.

O encontro ocorreu em formato híbrido e foi aberto por Paulo Ossani e Diego Tomasi, que destacaram a importância da integração e do alinhamento permanente entre os membros da Diretoria ao longo do ano.

“Este é um momento de construção de uma agenda ativa. Cabe à Associação se debruçar sobre os temas levantados e, naquilo que é inerente à entidade, é importante que todos estejam alinhados”, afirmou o presidente.

O vice-presidente reforçou a necessidade de atuação conjunta diante dos desafios do setor. “Sabemos que há pautas complexas, mas, atuando de forma integrada, será mais fácil levar o trabalho adiante e buscar soluções ao longo do ano”, destacou Diego Tomasi.

Entre os principais temas abordados na reunião, ganharam destaque os impactos da Reforma Tributária e da reoneração da folha de pagamento; a necessidade de superação das assimetrias comerciais e operacionais entre os países; a garantia de benefícios concretos aos transportadores certificados como Operadores Econômicos Autorizados (OEA); as tarifas elevadas e o custo das linhas de crédito para o setor; além da importância de a ABTI atuar de forma estratégica na capacitação e profissionalização do transporte rodoviário internacional, considerando seus desafios e particularidades.

Como encaminhamento, a Diretoria definiu a continuidade das reuniões híbridas em periodicidade bimestral, reforçando a disposição de atuação conjunta ao longo de 2026. Para abordar os desafios listados, a Diretoria também ressaltou a importância de articulação firme junto aos órgãos públicos, atualização constante e desenvolvimento de uma agenda ativa de atividades orientativas e formativas em defesa dos transportadores internacionais.

20260107 reuniao diretoria

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O primeiro Boletim Focus de 2026 apresentou índices de estabilidade em três das quatro medianas projetadas pelo mercado financeiro. A única que apresentou variação em relação às últimas semanas de 2025 foi a relativa à expectativa de inflação projetada para o ano corrente, que variou dos 4,05% projetados na semana passada, para 4,06% segundo o Boletim divulgado nesta segunda-feira (5) pelo Banco Central.

A inflação oficial do país tem como referência o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A variação de 0,01 ponto percentual apresentada neste Boletim ocorre após uma sequência de oito estimativas seguidas de queda. Há quatro semanas, o mercado financeiro projetava uma inflação de 4,16% ao final de 2026.

Para os anos subsequentes, as projeções de inflação mantêm estabilidade há nove semanas, de 3,80%, em 2027, e de 3,50%, em 2028.

Meta de inflação

Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para 2025 é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5%, e o superior, 4,5%.
A prévia da inflação oficial de dezembro ficou em 0,25%, resultado que faz o acumulado de 12 meses marcar 4,41%, dentro do limite da meta do governo.

Foi o segundo mês seguido com inflação acumulada dentro da margem de tolerância. Em novembro, o IPCA-15 tinha baixado para 4,5%, depois de ter ficado fora do limite desde janeiro. Em abril, o ponto mais alto desde então, chegou a 5,49%.

Os números foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

PIB

Tanto as projeções do mercado financeiro para o câmbio, como para a taxa básica de juros (Selic) e a economia apresentaram estabilidade nas últimas semanas.

No caso do PIB (Produto Interno Bruto, a soma de todos os bens e serviços produzidos no país), as projeções são de crescimento de 1,8% em 2026 – mesmo percentual projetado para 2027. Para o ano seguinte (2028), o crescimento estimado pelo mercado financeiro para a economia é de 2%.

Câmbio e Selic

Com relação ao câmbio, o mercado financeiro projeta que o dólar fechará 2026 com uma cotação de R$ 5,50, valor que não vem apresentando alterações por 12 semanas consecutivas. Para 2027 e 2028, as cotações projetadas para a moeda estadunidense estão, respectivamente, em R$ 5,50 e R$ 5,52.

Já a Selic, que fechou 2025 a 15%, deve cair para 12,25% ao longo de 2026; para 10,50%, em 2027, e 9,75% em 2028.

Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida; isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Quando a taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

Fonte: Agência Brasil

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A Associação Brasileira de Transportadores Internacionais (ABTI), entidade de representação nacional do transporte rodoviário internacional de cargas, entende como essencial que o início de 2026 seja marcado por clareza quanto ao cenário em que o setor se encontra e por um diálogo franco, técnico e responsável sobre os desafios estruturais que impactam diretamente a atividade dos transportadores.

Esse diálogo precisa partir do reconhecimento de que o sistema atualmente em operação apresenta desequilíbrios estruturais relevantes. Os principais corredores internacionais que conectam o Brasil à Argentina, ao Chile e ao Paraguai operam sob forte assimetria entre os fluxos de exportação e importação. Apenas na relação com a Argentina, o retorno de caminhões com carga representou só cerca de 26% da movimentação total até o início do último trimestre de 2025. Ao mesmo tempo em que as exportações por esses passos cresceram mais de 20% em relação a 2024, as importações avançaram apenas 6% no mesmo período.

O retorno de veículos vazios impõe custos operacionais expressivos (combustível, pedágios, manutenção, mão de obra, depreciação e capital imobilizado) que recaem integralmente sobre as empresas transportadoras, sem adequada remuneração pelo mercado.

Esse contexto se agrava diante da compressão contínua das tarifas no transporte rodoviário internacional, comprometendo a capacidade das empresas de investir em frota, tecnologia, segurança e qualificação operacional. No médio e longo prazo, a persistência desse cenário tende a reduzir a previsibilidade, a oferta de capacidade e a estabilidade da cadeia logística como um todo, impactando não apenas transportadores, mas também embarcadores e demais agentes envolvidos.

Reforma tributária e câmbio

O ano de 2025 também foi marcado por uma significativa desvalorização do dólar frente ao real, com queda de 11,2% de ponta a ponta. No dia 30 de dezembro, a moeda americana fechou em R$ 5,48, após ter superado os R$ 6,00 no início do ano. Os fatores político-econômicos internos e externos seguirão exercendo influência relevante sobre a taxa de câmbio em 2026, adicionando incertezas ao planejamento das operações internacionais.

Paralelamente, assoma-se o desafio de adaptação à reforma tributária. Embora o novo sistema esteja em fase de transição e testes em 2026, a alíquota de referência atualmente projetada em 28,05% para IBS e CBS sinaliza um potencial aumento da carga tributária, com reflexos diretos sobre as importações e o custo de insumos essenciais.

Apesar da importante conquista do setor que garantiu a isenção do transporte de cargas com finalidade de exportação, as operações de importação estarão sujeitas à incidência de IBS e CBS. Além disso, seguem as dúvidas acerca da documentação que amparará as operações internacionais devido a uma carência de regulamentação que abranja as particularidades do setor.

Nesta seara, transportadores ainda lidam com a reoneração da folha de pagamento, que vinha sendo postergada nos últimos anos, e marcou o início de um ciclo de aumento de encargos trabalhistas que segue até atingir o percentual de 20% em 2028.

Transparência de mercado e tarifas sustentáveis

Diante desse conjunto de desequilíbrios e incertezas, a ABTI reforça que as tarifas do transporte rodoviário internacional precisam refletir a viabilidade integral das operações, considerando os custos estruturais, os riscos envolvidos e a assimetria dos fluxos de carga. Tarifas sustentáveis são uma condição essencial para assegurar qualidade de serviço, segurança operacional e equilíbrio ao setor.

Para atingir isso, é indispensável a avaliação contínua das operações, das margens e das estruturas de custo, de modo a promover maior transparência nas relações comerciais. Dar visibilidade às dinâmicas reais do mercado contribui para relações mais equilibradas e para a sustentabilidade de longo prazo do transporte rodoviário internacional, objetivo que deve orientar as decisões e negociações ao longo de 2026

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